Muitas clientes comentam e desabafam sobre a realidade falida de seus casamentos.
Independente do fracasso que é, insistem num relacionamento, principalmente por estabilidade financeira.
Mas será que esta não é mais uma desculpa?
Sim, porque o que geralmente ouço é “meus filhos são ainda pequenos”... Como se isso fosse desculpa para manter um casamento!
Eu sou prova disso, encorajei-me a divorciar-me com três filhos, tendo na época a mais nova, 7 meses. Mas chega uma hora que a tolerância vai à zero, e quando chegamos nesta situação, é porque nem o diálogo – única ponte para o entendimento – é possível!
Na verdade, a maior dificuldade apontada é que nenhuma pessoa está preparada para enfrentar uma separação: falta-lhe condições emocionais e/ou condições econômicas.
Quanto às condições emocionais, é fundamental ressaltar das nossas expectativas sobre o parceiro, nosso primeiro marido, cuja união na maioria das vezes é sacramentada por uma cerimônia religiosa, ou seja, assumimos perante a família e amigos o comprometido em amar o companheiro, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte nos separe...
Apesar de hoje a religião ter ‘evoluído’ e mudado seus critérios e não perder seus fiéis ‘divorciados’, hoje ela entende tal qual a psicologia: ‘que a morte nos separa’ significa, enquanto nosso amor não morrer!
Em seguida é estritamente necessário organizar a situação econômica: você tem uma fonte de rendas? Se não tem, a pensão do marido para você e filhos será suficiente? Esta será suficiente para garantir a sobrevivência sua e da prole? Porque nós, mulheres, temos que ter uma fonte de renda que somada à pensão dos filhos garanta a sobrevivência nossa e da prole. E em casos de não possuírem casa própria, têm que avaliar também se compensa assumir o gasto com o aluguel e despesas de compras de objetos e móveis desta nova casa, porque muitas vezes é compensatório voltar para a casa dos pais, mesmo esta opção estando fora da sua lista.

Vale lembrar que a prioridade absoluta é o bem-estar dos filhos, e apesar dessa preocupação ser a ‘desculpa esfarrapada’ de muitos casamentos já acabados, é muito mais saudável a criança crescer longe e brigas, sem a ilusão de que casamentos são perfeitos, sendo que não existe perfeição, apesar de muitos casais quererem passar essa imagem para os filhos e para toda uma sociedade. O mais importante é o casal, com pais, ao menos em relação aos filhos, deixar as diferenças de lado e buscar uma separação amigável para protegê-los do desconforto de viver em um lar infeliz. Se estes ainda não são crescidos, assim que atingem certa maturidade eles próprios queixam-se do descompasso entre os pais e afirmam que preferiam que eles se separassem.
Finalmente, a grande motivação para a separação é a tentativa de viver melhor. E a meta a ser buscada é a possibilidade de ser mais feliz.
Se estamos certos ou errados, pouco importa. O que vale é sermos sinceros conosco, e admitirmos nossos sentimentos, independente destes serem compreendidos ou não.
Sim, porque na maioria das vezes não somos.
Eu sofri muito a falta de compreensão por parte de amigos íntimos e familiares: todos querem ajudar e tentar uma reconciliação.
Se esquecem que quando definitivamente decidimos, não voltaremos atrás, mas mesmo assim somos obrigados a passar pelo desconforto de pessoas opinando pelas nossas vidas.
Escrevi hoje esta postagem porque uma grande amiga decidiu-se separar do marido após 21 anos casada. Por esta nem eu esperava, afinal, ela mesma dizia que apesar de não sentir amor ou tesão pelo fulano, ela não confiava mais por conta das traições passadas, mas que por amizade, viveria ainda longos anos com ele.
Apesar de não entender este tipo de gratidão que algumas esposas têm para com seus companheiros, chegou o dia em que sua bomba interna explodiu. Para mim foi super inesperado, uma novidade, mas fiquei orgulhosa pela coragem dela.
E não é que sobrou para mim, mesmo distante e sem saber dos últimos acontecimentos?
Sim, porque eu sou a amiga ‘separada’ dela, e na cabeça do esposo, eu a influenciei e a convenci abandoná-lo, afinal, é mais fácil culpar uma terceira pessoa pelo relacionamento falido que ter que se olhar para dentro e admitir erros e falhas.
Bom, eu e ela sabemos muito bem que eu não opinei sobre sua decisão, aliás, se dependesse de mim ela teria o abandonado já que soube de sua descarada traição, há alguns anos atrás.
Mas enfim, como eu dizia no início, nem sempre o momento que acontece os terremotos que balançam os casamentos, são momentos cruciais de decisão; existe sim a possibilidade de se entender, mas se houver arrependimento e amor, porque se consentirmos ignorar um desrespeito desse, a tendência é se repetir sempre, e incontestavelmente... Ou então, até decidirmos dar um basta, só que este basta só será possível se estivermos bem emocional e financeiramente.
Me perguntaram: “Então tá, você está querendo me dizer que, só porque eu estou desequilibrada e desempregada eu não posso me separar?”
Em primeiro lugar, eu sou super a favor da família, só Deus e pessoas íntimas sabem o quanto eu lutei para impedir o desfecho que teve, mas quando não dá não dá mesmo!
Eu não sou ninguém para dizer o que é certo ou errado, e se está na hora certa ou não, somente posso falar do que tenho aprendido com a vida, com as experiências dos outros, e com a psicologia. E é fato que, se estivermos ‘desequilibrados e desempregados’ nossos problemas serão muito maiores, porque não é fácil passarmos por um divórcio, então se for para realmente passar, que seja de uma forma menos turbulenta, e se este então não é o momento, vamos ao menos resolver essas duas questões antes de tomar decisões definitivas para nossas vidas.
O DISK-AMA está aí para aconselhar você no que for preciso. Mas se o que precisa é somente desabafar, é só nos contatar, que também estamos aqui somente para lhe ouvir.