Ser mãe é sentir o coração bater fora do corpo. E isso não tem nada de louco: deixa é a gente louca, isso sim!
É uma experiência transcedental ter uma tripla jornada de trabalho: cuidar da casa, trabalho e marido... Eiiii, quádrupla né? Afinal, com o tempo vêm os filhos tão esperados, isso quando não atropelamos os scripts sociais e os encomendamos ainda solteiras. É barra já começar o casamento com eles no colo, afinal, não é a toa que lua de mel fortalece relacionamento também, porque queira ou não, a chegada do bebê afasta o casal.
Deixa-me explicar o que eu quis dizer com ‘afastar’, afinal, depois de tanto tempo de namoro, casamento, agora vocês finalmente decidiram ter filhos e eu venho melar a idéia!?!
Quando eu digo ‘separar’, eu me refiro ao casal como namorados, e não como pai e mãe.
A mãe deixa de estar disponível, e nem tem tanto pic, afinal, um bebê muda toda a rotina da casa. Em todos os casos (ao menos me refiro à estudos e pesquisas, principalmente relatos e minha própria experiência), por mais que o homem não admita, inconsciente ele tem ciúmes do bebê porque ‘perdeu’ a atenção da mulher da casa, que agora só lembra de dar colinho para o mais novo membro da família.
Meninas, não é fácil assumir tantas responsabilidades e obrigações. Antes de casarmos ninguém nos alertou o quão é difícil nos desdobrarmos em mil! E depois da maratona diária, muitos companheiros exigem que suas esposas estejam sempre prontas, independente da vontade não ser mútua.
Então por quê fazer? Por quê ceder?
Porque perante o padre você jurou ser do esposo na alegria e na tristeza?
Porque socialmente o papel da esposa é servir o marido?
Porque você não é tão bem resolvida, e cede com medo dele procurar na rua o que não tem em casa?
Se homens virem a ler esta postagem, vão contraditoriamente se defender, afinal, a fala de todos é: “mas sou o provedor da casa...pensa que não estressa também trabalhar o dia todo...sou eu que sou o responsável e o único a me preocupar com as contas...” e por aí vai.
Mas esqueçam-se desse discurso!
Agora é um momento nosso, meu e seu, e quero colocar você para pensar como está se posicionando no seu relacionamento, onde desde que o mundo é mundo e a gente é gente, o homem senta no topo da escala hierárquica, achando que ainda vivemos no feudalismo ou no sistema patriarcal, onde mulher só servia para serví-los... e parir os filhos, de preferência meninos (já que no regime patriarcal, a linhagem se dá de pai para filho, e os bens vão para o filho primogênito).
Eu achei interessante um programa que assisti no Discovery Home and Health: a inversão de papéis pai/mãe. O resultado com certeza foi unânime, porque no final das experiências, todos valorizaram mais as divas que possuem dentro de casa! E na minha opinião, todos os pais deveriam ser mães por um dia, para valorizar ainda mais nossa posição dentro de casa!
Esta semana mesmo ouvi a queixa de uma cliente que faço massagem:
“Tati, estou exausta, sem tempo pra nada, acho que estou em crise com a maternidade, cansada de ser só mãe. Cheguei ao meu limite do cansaço físico-emocional, tendo que trabalhar, dedicar cuidados a duas crianças em fases totalmente diferentes (uma com 10 anos e outra com 10 meses), afazeres domésticos depois que eles dormem, banho lá pra meia-noite. E quando desmaio na cama, sem ao menos sentir meu corpo, ainda tolerar esposo queixoso de atenção”.
É... nem todas têm o pic de namorar as 2h da manhã, para ter que despertar logo as 6! E não adianta, muitos infelizmente ainda não entendem mesmo, enquanto a mãe, após o expediente de trabalho, se divide entre casa, criança e fogão, ou o 'provedor' está na tv, ou na internet, ou foi jogar bola com os amigos... enfim, estão 'relaxando'.
É por isto que nesta ocasião, mais uma vez, nós mulheres temos que ter pulso forte: também merecemos ter nosso momento, e no que se refere às obrigações domésticas, ao menos ter as responsabilidades divididas!
A mulher, ao longo do tempo, buscou e ainda vem buscando, seu espaço, seja no âmbito profissional, social, familiar.
Se algo não está certo no trabalho a gente bate o pé... por quê não fazer o mesmo dentro de casa?
A feminista Julieta Kirkwood defende que:
“... o poder não é, o poder se exerce! E se exerce em atos, em linguagem...não é uma essência! Ninguém pode tomar o poder e guardá-lo em uma caixa forte. Conservar o poder não é mantê-lo escondido, nem preservá-lo de elementos estranhos, é exercê-lo continuamente, é transformá-lo em atos repetidos ou simultâneos de fazer, e de fazer com que outros façam ou pensem. Tomar-se o poder é tomar-se a idéia e o ato”.
Por isso lhe digo: você mulher, tem o poder sobre sua vida. Não vivemos mais há alguns séculos passados, onde dependíamos dos patriarcas, os homens, para prover o sustento da casa e da prole.
Nossa realidade mostra que cada vez mais a mulher prova-se capacitada a ter/desempenhar as mesmas funções masculinas, e se ela pode/sabe empoderar-se dentro da profissão, na educação de filhos, e por quê então a submissão dentro de casa?
Mais uma vez trago Julieta, que afirma “a mulher ter a capacidade de decidir sobre a própria vida, e a vida do outro”; porém, o que ainda vemos, mesmo com todas as transformações ocorridas na condição feminina, são mulheres incapazes de decidir sobre suas vidas, não se constituem enquanto sujeitos, não exercem o poder e principalmente, não acumulam este poder, somente o reproduzem, NÃO PARA ELAS, mas para àqueles que de fato controlam o poder – os homens!
Enquanto ela não tiver a consciência e o entendimento de que também está no controle, ela ainda vai continuar a sofrer o controle masculino do trabalho sobre elas, o acesso restrito aos recursos econômicos e sociais e ao poder político, e principalmente, sofrer a violência masculina e o controle da sexualidade, sendo este último, assunto que eu quero abordar, e para isso, entendamos de uma vez por todas o que é empoderar-se.
Empoderamento é o mecanismo pelo qual as pessoas, as organizações, as comunidades tomam controle de seus próprios assuntos, de sua própria vida, de seu destino, tomam consciência da sua habilidade e competência para produzir e criar e gerir.
Empoderar-se é não assumir uma posição subordinada, mas sim tomar decisões, construir uma auto-imagem e confiança positiva, desenvolver habilidade para pensar criticamente, tomar decisões, principalmente porque quanto maior for seu empoderamento, maior será sua igualdade, seja dentro de casa ou perante a sociedade.
Se posicionar não significa contrariar, enfrentar, mas defender com unhas e dentes aquilo que você pensa, aquilo que você é, sem se sufocar, sem tentar ser aquilo que o outro espera de você, sem dar aquilo que você não tem; e com paciência e amorosidade, trabalhar no outro a aceitação das mudanças necessárias para uma vida melhor, para você e suas relações (seja esta dentro ou fora de casa).
Sou super a favor da família, apesar do meu casamento não ter dado certo não significa que não tentarei outra vez.
Porém, as experiências, os tropeços, o sofrimento, nos amadurecem, e hoje eu sei bem onde errei e onde posso ser melhor, assim como posso escolher quem eu quero definitivamente ao meu lado. E saber o que eu não quero já é meio caminho andado... e quem eu não quero nem admito ter ao lado, é um homem extremamente machista, que queria medir poder ou competir, ou ainda, afugentar minha luz!
Numa relação se soma, não se divide; também se é sincero, e para estar junto um tem que aceitar o outro. O uso do senso-comum ajuda bastante, mais ainda a conscientização que para dar certo cada um tem que fazer sua parte.
Então queridas, se vocês não querem ser acordadas no meio da noite para cumprir seus papéis de esposas...NÃO ACORDEM!
Está mais que na hora de seus esposos assumirem realmente o verdadeiro papel do homem deste século; e este homem, hoje, participa da educação dos filhos, se não possui condições financeiras de ter uma ‘secretária’ em casa, dividirá os afazeres domésticos, ou ao menos cuidará da prole para suas esposas terminarem as obrigações de casa, afinal, suas contas também não estão sendo divididas? Ajudando-se um ao outro, ambos terminam as tarefas mais cedo, tomam banho mais cedo, e sobra tempo para se curtirem, sem cobranças ou sem meias-entregas. Família é uma equipe!
É preciso de muitas coisas para um casamento dar certo, mas entre elas, o respeito ao outro, e machismo está fora de moda, portanto, está mais que na hora de derrubá-lo: o casal se une, fica mais próximo e mais feliz... e as pessoas à volta, principalmente os filhos, agradecem!